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© Miguel Boim, 2017-2019.

 

SOLIDARIEDADE SOCIAL

    Uma das coisas que mais precisamos em nossas vidas – mesmo que tenhamos vivido aquilo que outros não viveram, mesmo que as experiências nos tenham tornados fortes como aço e de alma inquebrantável, e mesmo que não saibamos que as mais puras formas de amor existam em nossa vida – é precisamente de amor.

Em Outubro de 2016, na caminhada promovida pela Câmara Municipal de Sintra e com o apoio da Parques de Sintra Monte da Lua, onde contei histórias da história de Sintra e foi possível reunir bens alimentares e de primeira necessidade para famílias carenciadas do concelho de Sintra.

    Alguns interpretarão como amor carnal o que disse, outro uma forma de amor sem medida, o que, quer na entrega quer no receber – tal como tudo o que é em demasia se encontra em desequilíbrio – bem não nos faz. O amor, não se encontra mas pode encontrar-se em tudo aquilo que nos dias que por nós passam se faz. Literalmente. O amor pode ser a expressão que melhor identifica como nos dedicamos ao nosso trabalho; ou pode traduzir para linguagem comum aquela esperança subliminada de cada vez que nos prestamos para alguém que sentimos – mesmo sem conhecer a pessoa – ter um grau de uma desconhecida afectividade, quer seja semelhante a uma amizade, quer seja paternal – quer maternal -, quer por sabermos – ou julgarmos saber, melhor dito será – o que aquela pessoa naquele momento de vida que com ela nos cruzámos, sentirá. 

Numa tarde de Outono de 2016, levando as histórias da história de Sintra até à Universidade Sénior Criar Afectos, em Rio de Mouro.

    O amor pode também ser encontrado quando, através do nosso trabalho, sentimos que em alguém, nos dias que corremos através do tempo, ficará uma semente do nosso entusiasmo e do que transmitimos, que lentamente por si rebentará sendo regada apenas pelas condições de vida e vivências de quem a recebeu. 


    Existem muitas mais formas de amor, como bem saberá. Elas apenas têm manifestações diferentes mas resumem a sua origem a pouquíssimas coisas. Como a nossa vivência. Como aquilo com que nascemos e que muitas vezes julgámos ser um fardo por não encontrarmos em mesma medida nos outros. Como na esperança por todos aqueles que nos rodeiam. Como a esperança por realmente amanhã sermos uma melhor pessoa do que fomos hoje.

Na caminhada solidária que assinalou o Dia Municipal para a Igualdade, em 2016.

    Mas é através do nosso caminho que podemos sentir esse amor. É através da nossa esperança que o podemos manifestar. E uma das mais importantes formas será contribuindo para a comunidade, da forma que podemos.

Ano de 2017, numa ida à E.B. 2, 3 Ruy Belo (Monte Abraão)
Créditos fotográficos: Teresa Sobral.

    Se os nossos dias exigem muito da matéria para que prossigamos o nosso trabalho ou até a nossa vida, existe sempre uma parte de nós com que no correr dos dias podemos os outros auxiliar. Quer seja num trabalho conjunto para angariar fundos, quer seja para fazer sorrir quem menos oportunidade para isso tem. Quer para interessar quem o interesse em tudo aparenta ter perdido.

No Centro Cultural Olga Cadaval, na celebração dos 20 anos do Núcleo Serra da Lua.

Créditos fotográficos: CNE - Núcleo Serra da Lua.

Abril de 2016.

    O amor continua lá. Mesmo na situação mais difícil. Mesmo na menos esperançosa. Apenas precisa de se manifestar para ser manifestado. E, quem sabe, um dia ter o entusiasmo e esperança que preenche aqueles que das formas mais difíceis se encontraram com a menor esperança no bem.