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© Miguel Boim, 2017-2019.

 

CARTAS DE AMOR:

UM DIÁRIO DAS NOITES

5 de Setembro de 2017


    Na passada Sexta-feira estava com o meu companheiro de percursos - o Frederico - a admirar o Castelo de Sintra que, além de iluminado com as cores da Catalunha, tinha acima de si uma fantástica lua a caminho da sua fase cheia.

    Foi quando do breu das colinas do Castelo começou a descer sobre a velha Vila de Sintra uma das espécies da Serra que mais amo.

    Passando por cima do antigo Hotel Victor (na imagem, a janela abaixo do Castelo mais iluminada) começou a descrever uma curva - na penumbra criada no ares pelas copas das árvores e pelas vetustas casas - que a levava para o vale que desce para o Caminho dos Castanhais (na imagem, lado direito).

    O seu corpo - prateado pelo breu na sua plumagem branca - deslizava pelos ares no habitual harmonioso voo que executam. Bateu uma vez as suas brancas asas, bateu-as uma segunda vez, e com um rápido girar da sua cabeça perscrutou todo o terreiro do Palácio da Vila. Bateu as asas uma terceira vez e desapareceu num voo que a levava para o vale.

    A sua plumagem era mais branca do que aquela que nesta imagem coloquei. O seu vôo sempre longo na altitude que o mantém, a sua plumagem toda branca, as suas aparições sempre de noite, aceleram-me o coração - como quando nos sentimos abençoados. 

    Na noite da passada Sexta-feira o coração encheu-se-me com o sopro de tudo o que mais belo a natureza tem, com tudo o que de mais belo a Serra de Sintra tem. Que as Corujas das Torres possam sempre perdurar na Serra de Sintra.
 

1 de Julho de 2017


    No Sábado à noite da passada semana, o grupo que estava em visita à Serra de Sintra - e à sua história - criou para si as condições ideais para aproveitar o ambiente nocturno, o património material e imaterial da Serra de Sintra. 

    A dado momento e à frente na estrada, viu-se um corpo de uma ave corpulenta silenciosamente deixar-se cair de um muro para num curto vôo, atravessar o caminho e desaparecer no véu escuro que o arvoredo do outro lado formava. Ao pedido para fazerem ainda menos ruído, de caminharem silenciosamente, algumas das pessoas da frente ainda puderam observar no escuro da margem do caminho, a silhueta de uma Coruja-do-Mato que se havia sentado no topo de uma árvore decepada, de costas para nós na noite.

    Os pirilampos fizeram também parte de trechos do caminho - assim como ruídos que assinalavam a presença de fauna de pequenas dimensões perto de onde passávamos - mas o grupo ainda foi brindado com um piar jovem vindo do alto de arvoredo de grande porte, de uma Coruja-das-Torres.

    Para além das histórias da história da Serra de Sintra, são momentos simples mas marcantes como estes que o silêncio proporciona, num ambiente nocturno que fica perto de uma capital em distância, mas muito longe da agitação de uma nestes sentires.

    Na imagem vê-se uma coruja num fragmento de um quadro de Hieronymus Bosch, do final dos anos de 1400: "São Jerónimo em Oração" (em exposição em Gante, Bélgica (Museum voor Schone Kunsten)).